74,6% dos brasileiros não se interessam por cursos de qualificação profissional, aponta IBGE

Dados são de 2014. Naquele ano, 40 milhões de pessoas gostariam de se qualificar profissionalmente, mas maioria não podia conciliar o estudo com a rotina diária.

Mais de 74% dos brasileiros com mais de 15 anos de idade não se interessavam, em 2014, por cursos de qualificação profissional. O contingente de pessoas interessadas neste tipo de formação, no entanto, correspondia a 40 milhões de brasileiros. Os dados foram apresentados nesta quinta-feira (23) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A pesquisa mostrou que, em 2014, apenas 2,2% das pessoas de 15 anos ou mais estavam frequentando algum curso de qualificação profissional, o que correspondia a 3,4 milhões de pessoas. Deste total, quase 60% já havia feito algum outro tipo de curso profissionalizante.
O desinteresse por cursos de qualificação profissional contrasta com a importância que tal tipo de formação é percebida por pessoas que já fizeram algum curso semelhante. De acordo com Marina Aguas, a pesquisa mostrou que 90,5% das pessoas que fizeram algum curso de qualificação profissional afirmaram que ele foi útil em sua vida profissional ou pessoal, mesmo que nunca tenham trabalhado na área.
Segundo a pesquisa, 47,7% das pessoas que fizeram algum curso de qualificação profissional jamais atuaram na respectiva área. Entre aqueles que cursaram cursos técnicos de nível médio, o percentual de quem não conseguiu atuar na área era de 40,5%.
Já entre as pessoas que fizeram algum curso de graduação tecnológica, os chamados tecnólogos, 52,6% conseguiu emprego na área de formação.
Dentre as 40 milhões de pessoas que afirmaram ter interesse em fazer curso de qualificação profissional, 34,4% alegou que não o fazia por dificuldade de conciliá-lo com outras atividades.
“O principal motivo alegado foi a dificuldade de conciliar o curso com a jornada de trabalho ou com as atividades domésticas. Isso pode estar sinalizando que é necessário se pensar até em cursos com carga horária diária menor”, sugeriu a pesquisadora Marina Aguas.
De acordo com o diretor de políticas de educação profissional e tecnológica do Ministério da Educação, Valdecir Carlos Tadei, a pesquisa do IBGE vai ajudar o órgão a definir novas políticas na área da educação profissional.
“Nós estamos tendo contato com essa pesquisa agora e ela tem um caráter para nós extremamente importante de orientação das nossas políticas”, disse Tadei. Ele enfatizou que tais políticas terão como foco aumentar a oferta de cursos de qualificação adequando às necessidades dos brasileiros que demandam este tipo de formação.

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